2. Bodas
Período estimado: 1940-1950
Dona Olídia era indígena, e Seu Joaquim era “branco, loiro, italiano” formados, assim, os avós paternos de Mãe Lia. Já instalados em Jucuruçu, depois de muitas andanças pelos sertões, abriram posse de terra e lá viveram com a família. Elias era um dos filhos do casal e, com 25 anos, casou-se com Avelina, filha de mãe indígena e de pai negro. Ela veio de Rio Pardo de Minas (MG), a pé, e o casal parou no distrito de Dois de Abril, que fica na fronteira da Bahia com o estado de Minas Gerais, próximo a Jucuruçu. Como Avelina tinha, apenas, 13 anos, precisou mentir a idade para o padre celebrar o casamento. Em seguida, foi andando com o noivo para a região onde já estava o restante da família dele. Juntos, tiveram dez filhos, mas o primeiro não sobreviveu.
A oitava filha é conhecida, hoje, como Mãe Lia, dirigente do terreiro Tenda de Umbanda Luz Divina de São Jorge. Ela é uma cabocla encarnada, mestiça com ancestralidade indígena, negra e branca, como a umbanda.
Seu sangue é a mistura das diferentes matrizes, e seu ori carrega as entidades ancestrais de tantos povos, que pisaram neste chão.

Dona Avelina, mãe de Mãe Lia, com XX anos.
Foto do acervo pessoal de Mãe Lia.

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