13. A Mãe ganha filhas e filhos
Meu Pai São Jorge, guerreiro de Ogum,
essa corrente é de ferro, é de aço
com alma e coração.
É luz batendo no compasso da fé,
é luz batendo no compasso do amor,
não há demanda ou despacho
sob a luz da sua proteção.
Ponto cantado para firmeza da corrente.
Os guias espirituais orientaram Mãe Lia e Pai Clayton a registrarem o terreiro, em 2004, numa Federação de Umbanda – na época, era um procedimento obrigatório para que o trabalho não fosse denunciado como charlatanismo. Esse movimento já era a preparação para o que seria pedido, em seguida: “abrir a corrente”, isto é, receber filhas e filhos-de- santo para o desenvolvimento mediúnico, transcendendo as práticas de atendimentos, curas, aconselhamentos, auxílios.
Porque a forma com que o terreiro foi registrado, foi de providência de um guia. Eles falaram assim, ó: “prepara”… porque naquela época não podia funcionar sem uma federação, não, minha filha… [Riso] Se uma federação chegasse no terreiro, ou tivesse uma incorporação sem a supervisão de um Pai de Santo, minha fia, ia fechar na hora… Por quê? Porque as federações eram quem fiscalizavam e tinham controle do que era, ou não, licenciado, do que era, ou não, charlatanismo. Então, tinha que ter esse documento.
Pai Clayton, agosto de 2025.
Nas providências para o registro na Federação, foi preciso criar um nome, e foi aí que surgiu “Luz Divina de São Jorge”.
E aí, foi que a gente foi pensar o nome, foi pensar o nome do terreiro. Tem o documento, né? E aí, fala assim, ah… Tenda de Umbanda São Jorge. Ficou assim. Mas era pra ser registrado Tenda de Umbanda Luz Divina de São Jorge, Luz Divina. Ou Tenda da Umbanda da Luz Divina de São Jorge. Tá lá, esse registro, até hoje… Como esse registro de federação, ele é muito variável, porque as federações são variáveis, acho que nem existe mais, hoje… o terreiro passou a ser chamado de Luz Divina, Luz Divina, Luz Divina, Luz Divina de São Jorge, pegou… De 2004 pra cá. Aí, pronto, 2004 pra cá começou a corrente, Mocinha veio pro terreiro já era 2007, então Já começa, por aí, as coisas já vindo rolando, sabe?
Pai Clayton, agosto de 2025.

Foto: Daniel Sousa, 2024.

Foto: Daniel Sousa, 2025.
Desde 2004, Mãe Lia tem recebido, em sua casa, filhas e filhos, conduzindo o desenvolvimento mediúnico e zelando por seus guias e as suas espiritualidades de terreiro. Trata-se de um trabalho mais complexo do que o de curar a aldeia: é preciso educar a aldeia, ensinar, orientar, acolher, corrigir. Nesse período de, pelo menos, 21 anos, muitas pessoas já passaram pela corrente, e depois saíram, por razões diversas. Atualmente, as filhas mais antigas são Moça e Jacqueline (esta última, além de Filha de Santo, é filha de sangue de Mãe Lia).

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