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Memória e ancestralidade

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TULDSJ

15. Os guias pedem seu próprio Canzuá

2017

Tem morador, decerto, tem morador
na casa onde o galo canta,
decerto tem morador.

Ponto cantado de Exu.

Logo após Pai Clayton ter assumido seu trabalho espiritual, Mãe Lia buscou uma residência para ela morar: queria mudar de casa. Um corretor de imóveis a levou à Rua Santa Rosa, 53, no bairro Santa Rosa de Lima.

Quando eu comecei a recuperar, estava muito ruim. Acabei de recuperar, que eu estava aguentando andar, eu fui procurar uma casa pra alugar. Cheguei ali. A plaquinha de aluga, e o contato do corretor e o endereço. Aí eu fui na casa dele, achei. Aí, quando ele abriu o portão, que eu cheguei ali no portão, que abriu, [pausa] eu entrei. Olhei a casa toda. Aí eu pensei, eu não estou vendo uma casa pra mim morar aqui, não. Eu estou vendo pro terreiro. É pro terreiro essa casa. Mas não vou falar nada com eles agora, não. Eu via tudo. Na minha cabeça, passava, assim, aquela fita de tudo ali dentro. Falei, ó, eu te dou a resposta mais tarde. Te dou a resposta mais tarde. Se vou ficar ou não. Mas eu vou ficar sim. Mas só pra confirmar. Cheguei lá. Peguei, falei com Clayton, né. Mandei mensagem pra Clayton. Clayton, por essa e essa e essa… Ô, Clayton, eu vi a casa, mas não é pra morar… Fui procurar pra morar, mas é o terreiro. “Sério, mãe?” Sério. Cê quer ir lá ver? Aí ele marcou o horário, pra ir lá ver, né, pra nós dois ir. Marquei de novo com o corretorzinho. Meu filho quer ver a casa também, Carlinhos. Ah, então tá bom, bora lá. Quando Clayton chegou, sentiu a mesma coisa. Foi a partir dali. É a partir dali. [Pausa] Então, não tem fundamento lá, ou não tem?

Mãe Lia, julho de 2025.

A casa foi alugada em nome de Mãe Lia e os vencimentos do aluguel eram pagados com recursos de Pai Clayton. Naquele tempo, em 2017, o imóvel já era bastante antigo e o espaço tinha uma sala, dois quartos, uma cozinha, um banheiro, uma área pequena na frente e uma área maior na lateral.

Mãe Lia, Pai Clayton, as filhas e os filhos-de-santo da época plantaram os fundamentos do terreiro – como se assentassem os alicerces de pedra, que sustentariam as paredes e o telhado, agora, no chão da cidade. Os trabalhos começaram numa louvação de Pretos Velhos, em maio de 2017. Vó Maria Conga e Pai Joaquim, pretos velhos que trabalhavam com Mãe Lia e Pai Clayton, respectivamente, fizeram a abertura. As primeiras giras tinham menos de dez pessoas, como mostram os livros de registro de presença.

Fotografias do dia da inauguração do terreiro, em uma gira de Pretos Velhos. A imagem de cima mostra o Congá, e a de baixo, Maria Clara, filha de Jacqueline, neta de Mãe Lia, com um ano de idade, enquanto Pai Clayton ornamentava o terreiro.

O imóvel, ao longo do tempo, precisou de muitas reformas, tanto pela degradação dos materiais, quanto pela necessidade de ampliação, que foi surgindo conforme o número de pessoas que passaram a frequentar a assistência, e a ingressar na corrente, foi aumentando. Como a casa não cobra pelos trabalhos e não recebe nenhum tipo de financiamento, público ou de organizações privadas, essas reformas sempre foram feitas com recursos dos próprios médiuns.

Reformas no espaço do terreiro.
Fotos do acervo pessoal de Pai Clayton.

Nossos trabalhos, com assistência pública, acontecem a cada quinze dias, sempre aos sábados. Giras especiais também acontecem durante dias da semana específicos. Consulte nossa agenda e visite-nos.

​Rua: Santa Rosa, nº 53, Bairro Santa Rosa de Lima.
Teixeira de Freitas – BA.

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